11 outubro 2011

Noite de verão

Enquanto pintavas, o som das cigarras distraiu-te e salpicos de luz soltaram-se do teu pincel espalhando-se no infinito.
Dando gargalhadas, deitei-me a teu lado.
A relva ainda estava quente da ternura do sol, e, embalada pelos sons da noite, comecei a perder-me na tela negra que se estende por cima de nós.
Como num livro escrito com palavras soltas, começo a dar asas à minha imaginação e parto numa longa viagem em direcção a todos os lugares que fui construindo ao longo do tempo.
Infinitos são esses sítios como o são os pensamentos que percorrem as linhas da minha mão. Tão imensas como as pinceladas incertas deste pintor excêntrico.
Não sabes que o que acabaste de criar vai fazer girar o mundo de milhares de outros artistas, poetas, sonhadores e apaixonados.
E foi aqui, feliz naquele instante perdido no tempo, que me desfiz em pó. E, com medo de me perder, todos os salpicos de luz absorveram-me para que tu te lembrasses de mim quando também te perdesses na grandiosidade desta noite sem fim!

1 Comments:

Anonymous Milton said...

Agora as noites são de Inverno, mas as palavras aplicam-se sempre. Só depende de como nos sentimos...

23:00  

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